O AMOR TEM QUATRO LETRAS COMO O NOME DA AMADA [Wuldson Marcelo]

O AMOR TEM QUATRO LETRAS COMO O NOME DA AMADA

Se for para enlouquecer que seja de amor.
Não, o amor não é devaneio dos loucos,
Um sopro de desvario, um toque incandescente.
O amor é uma suavidade intensa,
Um paradoxo na encruzilhada,
Que se perde num olhos em fuga.
O amor tem quatro letras como o nome da amada.


 


Já dizia o velho profeta:
“Amar é a arte de cultivar a serenidade”.
Mas o amor não é profecia,
Amor se conquista no dia-a-dia,
É feito de olhares que se cruzam,
E observam o silêncio.
E não no choque de corpos que se exaurem.
O amor tem quatro letras como o nome da amada.

Se for para se consumir que seja por amor.
Porém, o amor não é fogo-fátuo,
Ele perdura no instante que se vai,
E vai quando duração não pode ser mais,
Ele volta e recomeça, traça e rabisca um adeus sem fim,
É uma coleção de inícios e fins,
Acaba mesmo sendo a permanência do inesquecível.
O amor tem quatro letras como o nome da amada.

“O amor é um cão dos diabos”.
Um dia o consagrou o poeta marginal,
O amor é tudo e é nada,
É o sentido sem explicação,
É a interrogação que carece de resposta,
É um grito delicado,
Um terno desespero,
É liberdade na liberdade de se ter liberdade.
O amor tem quatro letras como o nome da amada.


           
Wuldson Marcelo, corintiano apaixonado por literatura e cinema, nascido em 1979, em Cuiabá, que possui Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea e graduação em Filosofia (ambos pela UFMT). É revisor de textos e autor de dois livros de contos que estão entre o prelo e o limbo, “Obscuro-shi” e “Subterfúgios Urbanos”.

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